Antiamores para uma segunda chuvosa

Três músicas sempre me chamaram a atenção por serem absolutamente pessimistas em relação ao amor… Quer assunto mais propício para uma segunda-feira?

1. Minnie Driver – Learn to be lonely

A música foi composta especialmente para o filme “O Fantasma da Ópera”, porque Minnie Driver, apesar de ser cantora, precisou ser dublada no papel de cantora de ópera. A mensagem é bem pesada: “Learn how to live life that is lived alone”.

2. Cher – Blowin’ Away 

Regravação que ficou muito boa com o tom melancólico grave de Cher:  ”Life has lost it mystery and love is blind – cannot find me”

3. The Carpenters – Goodbye to love

A única das três que possui um resquício de esperança no final (“There may come a time when I will see that I’ve been wrong…”)

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Perfumes de verão

Os cítricos são uma ótima opção para o calor do verão. Minhas escolhas entre eles sempre são:

Eau d’orange verte e Voyage d’Hermès. Uma marca que mantém um perfumista exclusivo para desenvolver seus perfumes tem muita vantagens sobre as demais…

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Medindo o nível de álcool no sangue

Um bom guia para o fim de semana… Mas algo proibido para mim, que estou com uma faringite maldita há duas semanas e fui proibido de beber por 5 dias. =(

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Pavões da moda

O homem, tão apressado em se proclamar superior por ser racional, repete as atitudes dos machos das outras espécies sem perceber. Infelizmente, o ser humano é um daqueles animais que, ao contrário do pavão, do lebiste, do leão e do elefante, não possui nada para chamar a atenção do sexo oposto. As diferenças básicas de seu corpo são apenas aquelas necessárias para a reprodução e as mulheres/fêmeas não podem ser seduzidas visualmente.

A necessidade da sedução, contudo, existe. As maneiras dela se manifestar são diversas, mas enquanto alguns preferem recorrer ao intelecto (seja ele desenvolvido ou não), outros – sem perceber, muitas vezes – mimetizam os machos da outra espécie: buscam elevar-se com artimanhas visuais. O culto ao corpo, por exemplo. Ou o culto ao status:

As grandes marcas são aquelas que mais se aproveitam dessa fraqueza masculina e investem pesado em roupas que anunciam o poder financeiro de seus donos. Curiosamente, são essas mesmas marcas (com raras exceções) que jogam na cara de seus clientes o desespero dessa manobra – as linhas de luxo dessas marcas não levam seu nome estampado em lugar algum e seguem o conceito das linhas femininas (ou seja: só têm estampas aquelas roupas que atendem os “menos ricos”). Afinal, as mulheres não têm essa necessidade de exibir status – a não ser para suas rivais. Daí as estampas nos acessórios, que passam despercebidos pelos homens mas estabelecem a hierarquia entre as fêmeas.

Será que as regras mudam quando o desejo de atração é pelo mesmo sexo? Pelo que se vê, não: em alguns círculos, os homens gays reúnem as duas atitudes – o desejo de atrair (as roupas) e o desejo de elevar-se (os acessórios).

A selva está ao nosso redor. ;-)

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Comida japonesa sem faux pas

Comida japonesa virou o que a pizza e os rodízios de carne já foram. Hoje, as grandes metrópoles e cidades menores têm um restaurante japonês a cada quarteirão. Mais do que isso, ir a um restaurante japonês virou um símbolo (ainda que em pequena escala) de status – seja porque a comida é mais cara, seja porque é mais difícil de ser apreciada. Mas o que os gaijins (em tradução simplista, os não-japoneses) não sabem é que estão, em 99% dos casos, indo a restaurantes com comida sem qualidade e/ou cometendo erros grosseiros de educação/etiqueta. Pensando nisso, resolvi fazer um post rápido com algumas informações essenciais para quem quer ou já aprecia a comida do Japão.

Itadakimasu!

1. Se a intenção é apreciar a boa culinária japonesa, fuja dos restaurante que oferecem rodízio. O preço dos outros é mais alto, de fato, mas para garantir a qualidade: eles compram peixe em menor quantidade, por exemplo, e o preparo é artesanal, ou seja, o sushiman dá mais atenção a cada prato que faz, ao invés da loucura dos rodízios.

2. Infalível dica da minha tia: ao entrar no restaurante, olhe ao redor. Se o número de japoneses for muito inferior ao de gaijins, o que você irá apreciar é a comida japonesa ocidentalizada. Ela pode ser de qualidade, mas não será a comida original. Prefira restaurantes em que japoneses são maioria. Se você souber identificar coreanos e chineses, também fuja de restaurantes em que eles são maioria: o paladar deles é diferente e eles preferem restaurantes japoneses que carregam no óleo, por exemplo.

3. Não acredite 100% nos críticos de jornais e revistas – pouquíssimos realmente entendem da culinária japonesa e fazem uma análise com os mesmos princípios de uma análise para um restaurante ocidental. Se você tiver um amigo japonês, valide a recomendação do crítico com ele!

4. É amor por comida japonesa? Aprenda a usar o ohashi. Nada pior do que colocar um elástico nele. Ou melhor, há algo pior, sim: você espetar a comida com ele. É um desrespeito com o sushiman que a preparou com todo cuidado! (Aliás: prefira “ohashi“, que é uma maneira mais polida de falar.)

5. Outro desrespeito com o sushiman (e uma maneira de não apreciar corretamente a comida):  mergulhar o gohan do niguiri sushi no shoyu. O correto é você passar apenas o peixe no shoyu (sem encharcá-lo!).

6. Essa dica é também de etiqueta: evite deixar seu ohashi em repouso apontando para a pessoa à sua frente (a ponta é o lado com o qual você segura a comida). Na hora de pegar algo no centro da mesa, faça com que ele esteja apontado para você.

7. Quando você vai comprar perfumes, as lojas deixam um pote de café para que seu olfato não te engane entre uma opção e outra. O gengibre tem o mesmo objetivo para a comida japonesa – se você está comendo sashimi de salmão, antes de passar ao atum, coma um pouco de gengibre para que seu paladar não fique comprometido! Isso vale para qualquer peixe que estiver servido.

8. Você ama Coca-Cola? Pois saiba que algumas bebidas afetam muito seu paladar e esse refrigerante é o rei! O ideal é evitar qualquer bebida que não seja água ou chá verde – ou então, deixe para beber depois de comer (uma opção altamente recomendada pelos médicos).

9. Temaki… tema complicado e delicado de abordar, por isso prefiro ir direto ao ponto: não coma. A maioria esmagadora dos gaijins não sabe comer temaki e o resultado, nos casos mais graves, é um festival de horrores e ofensas ao sushiman e a todos os clientes do restaurante. Se você gosta muito, passe em uma temakeria e compre um monte para treinar. Há poucas coisas mais desagradáveis do que uma pessoa comendo temaki enquanto shoyu escorre pela sua mão.

10. Uma regra de ouro para restaurantes típicos japoneses: mantenha sua voz baixa. Existe uma explicação simples para existirem poucos japoneses que falam alto – boa educação.

11. Essa dica é um pouco complicada, mas é importante. Se você tiver qualquer motivo para suspeitar que o peixe servido em determinado restaurante não é fresco, pergunte. O ideal é que ele tenha chegado no mesmo dia. Pode parecer rude fazer a pergunta, mas lembre-se que você está pagando e muitos restaurantes no Ocidente contam com o desconhecimento do cliente para servir peixe de dois dias antes, por exemplo.

12. Se você não está num rodízio, aproveite e tente outros pratos além dos mais famosos. No inverno, a boa dica é o Sukiayki, uma mistura preparada no centro da mesa (que esquenta todo o ambiente). No verão, tente o Hiyashi Somen, um macarrão frio geralmente servido com kombu (algas que não devem ser confundidas com nori).

13. Atenção: não leve gato por lebre. Ou melhor: não leve truta por salmão. Muitos restaurantes, principalmente as redes de fast food, servem truta salmonada no lugar do salmão. Pelo que percebi, a maioria está indicando a diferença no cardápio (em letras microscópicas),  o que deve indicar que alguns foram multados pela desonestidade. Na dúvida, pergunte.

14. Você já deve ter percebido que o clima do Japão não é propício para plantio de abacate ou manga. Por que, então, seu sushi vem com essas frutas? E o cream cheese teve sua origem na Europa quando o Japão ainda era um país fechado. Ou seja: livre-se da ocidentalização se você quer a culinária japonesa original.

15. Se você chegar num restaurante e perceber que o sushiman é, na verdade, uma sushiwoman, dê meia-volta e vá embora: a temperatura do corpo/mão afeta o preparo da comida e é por isso que atrás do balcão deve haver um homem.

O que não quer dizer que eu não coma os sushis feitos pela minha mãe… ;-) O que eu quero dizer com isso é que, apesar de existirem regras, você não precisa segui-las à risca para apreciar a comida japonesa.

Gotsosama!

Ah! Uma última dica para você, pessoa desastrada, que deixa shoyu cair na sua roupa sempre: peça ao garçom um pedaço de daikon (nabo) e esfregue no lugar imediatamente.

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Must have

A Moleskine anunciou a nova coleção limitada: LEGO!

Em tempos de textos inseridos direto no computador, os moleskines nos lembram “pensar com as mãos” ainda é muito válido!

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Pequenas doses de sinceridade

Quem não gosta de ouvir opiniões verdadeiras não deveria ter amigos. E não vale mimimi alegando bullying (todas as doses de sinceridade abaixo são reais… felizmente, não fui vítima de todas).

Dose de sinceridade 1:

- Sabe qual a vantagem de você ter raspado os cabelos? Agora você não precisa se preocupar com o que vai vestir: nada vai ficar bom, mesmo.

Dose de sinceridade 2:

- Eu sei que você comprou essa roupa porque eu falei que você se vestia mal, mas… melhor se  vestir mal sem tentar do que tentando. Tira essa camiseta agora!

Dose de sinceridade 3:

- Você tá num restaurante japonês com seus pais? Mas todo mundo combinou de ir hoje no restaurante japonês! Quer saber, cansei dessa conversa. Vou desligar na sua cara. (clic)

Dose de sinceridade 4:

- Se você quer ficar com alguém hoje, melhor parar de dançar.

Dose de sinceridade 5:

- O quê? Você achou que cabelo azul ia estragar só o seu visual? Não, era óbvio que ele ia estragar mais coisas.

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Sobre aquilo que não sabemos

Jantam juntos para colocar os pingos nos “is”. Afinal, que sentido faz duas pessoas que estão atraídas uma pela outra física e intelectualmente não ficarem juntas? Os últimos meses foram tão conturbados com os jogos, as mensagens confusas e a corrida pelo posto de “mais forte” que haviam se esquecido do principal – momentos de intimidade, beijos roubados, olhares cúmplices que excluem todos ao redor. Não tinham visto o fim chegando, sorrateiro, e decretando a falência de uma relação inexistente. As pessoas são muitas vezes como o casal sentado frente a frente no restaurante; falam e fazem tanto que se esquecem dos silêncios eloquentes. De novo, não dão espaço a ele – falam, justificam, explicam e pedem explicações entre uma garfada e um gole de vinho. O ser humano é carente demais e precisa de palavras.

Por fim, quando o assunto se esgota (ele se esgota?), o silêncio consegue se impor e os dois trocam um olhar sem sentimentos grandiosos. Entendem, na ausência das palavras, o que aconteceu e sabem que não há espaço para consertos. Provavelmente ficarão atentos quando outras pessoas chegarem em suas vidas para que o mesmo não se repita, mas não têm certeza de que conseguirão.

Pagam a conta, despendem-se e caminham separadamente para suas vidas, que não se encontrarão mais.

Algumas pessoas são assim. Viciam-se em ser solteiras e não sabem mais como fazer parte de um casal – não importa em que estágio (há casais se formando, casais se consolidando, casais se desfazendo, casais se refazendo…). Suas vidas giram em torno de prazeres individuais, momentos compartilhados com amigos e família, flertes natimortos, toques frios para garantir aos outros que ainda pulsam.

As outras pessoas procuram justificativas. Inventam traumas, criam karmas imaginários, procuram por respostas nos lugares errados.

Os dois caminham separados porque não sabem ser parte de um casal. Assim como alguns não sabem ser parte de uma vida individual.

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Diário do infiel

Passeando por Paris no ano passado, entrei numa livraria (tipo de estabelecimento que eu faço questão de visitar em qualquer país) e acabei esbarrando no “Diário do infiel”, de Pierre Salducci. O tema é algo que me atrai (talvez quase na mesma medida em que me desagrada), então resolvi comprar.

O Prefácio já soa como uma desculpa do autor, que diz não se lembrar direito dos acontecimentos – encontrada em um caderno que era seu diário aos 25 anos – e parece esperar ser perdoado por isso. A história é banal: Pierre está sufocado pelo relacionamento com Jean e decide morar em um apartamento separado (ainda que no mesmo prédio). Logo, ele está envolvido com Christophe, um jovem que divide apartamento com um grupo sempre promovendo festas regadas a bebidas e drogas, e Kamel, um garoto ainda com certa inocência e vindo de uma família conservadora.

Pierre Salducci não é um grande escritor (apesar do livro se autoproclamar um sucesso na época em que foi publicado pela primeira vez), mas não é exatamente o estilo do texto que o torna enfadonho: o problema é que o autor tenta, a todo custo, racionalizar as traições que comete para poder justificar a sua atitude e ser considerado inocente. Como se trata de um diário, as páginas parecem ser sua maneira de tentar perdoar a si mesmo pelo que ele, no fundo, considera errado. E a partir de um momento, os leitores simplesmente perdem todo o respeito por ele – aqueles que consideram traição algo completamente condenável o abandonam porque suas justificativas começam a ficar patéticas; já aqueles que consideram traição como algo normal o abandonam porque se cansam das justificativas para algo que não condenam.

Moral da história? Quem trai deve fazê-lo conscientemente e não fingir ter um código de valores que leva em consideração terceiros. Já que é pra fazer a merda, então desencane da pose de filósofo de relacionamentos contemporâneos: não cai bem!

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Sr. Ninguém, um gato e infinitas possibilidades

Mr. Nobody é um filme de 2011 com Jared Leto, Diane Kruger, Rhys Ifans e Sarah Polley sobre as vidas possíveis do personagem-título. O tema já foi explorado em outros filmes anteriores, de maneiras diferentes. “Corra, Lola, corra” apoiou-se no estilo das ‘vidas’ dos personagens de video-game, que têm a oportunidade de aprender algo e aplicar a experiência na vida seguinte. “De caso com o acaso” preferiu um viés de comédia romântica e deu à personagem de Gwyneth Paltrow duas opções – pegar ou não o metrô e, por consequência, flagrar ou não o namorado com outra.

O curioso em Mr. Nobody é que ele leva o espectador ao longo de mais de duas horas sem explicar ao certo qual vida é a “original”, quais são apenas “alternativas” e, em alguns momentos, qual opção levou a outra. A história é contada pelo próprio Mr. Nobody, o último ser humano mortal vivendo no futuro, mas ele tem problemas de memória e por vezes fica difícil saber o que está inventando – tudo para explorar o tema das possibilidades.

Dentre as obsessões contemporâneas, essa é uma das mais significativas porque faz parte do nosso dia a dia. Cada escolha deixa para trás uma série de vidas não vividas e muitas vezes ficamos presos ao “e se?” que ela traz. São as possibilidades – vividas ou não – que dificultam nosso desprendimento do passado: estamos constantemente olhando por cima dos ombros para ter certeza de que não deixamos algo valioso para trás. Aquele “sim” ou aquele “não” estragaram nosso presente? Ou ele seria pior se tivéssemos feito a escolha contrária?

No fundo, estamos obcecados com as possibilidades ou apenas queremos validar as nossas escolhas? Talvez o cantor francês Fabrice Mauss tenha resumido bem essa questão em sua música “Le Chat” (O gato):

Eu teria amado ser um gato

Para ter sete vidas

E poder te dizer, apesar disso tudo,

Que minha preferida é esta.

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