Viajar faz bem para o cérebro

Quem fala que viajar faz bem para a alma não sabe nem ao menos definir “alma”, então como pode dizer o que é bom ou ruim para ela? Viajar faz bem, mesmo, é para o cérebro: aguça nossos sentidos, desafia nossas verdades, questiona quem somos e, no final, não somos a mesma pessoa que embarcou dias antes.

Viajar, porém, não é a mesma coisa que fazer turismo. Alain de Botton explica bem a diferença entre o viajante e o turista: o primeiro quer experimentar o lugar – sai desbravando um território novo, o segundo chega no hotel, pergunta do wi-fi e programa a visita aos pontos turísticos principais, sem se dar conta que está diante de uma oportunidade incrível de rever seu próprio mundo. Por mais interessantes que sejam as pirâmides do Egito, a Torre Eiffel, a Estátua da Liberdade e outros monumentos não oferecem experiências que chegam aos pés de uma simples conversa com alguém que seja de outro país, vivendo em um contexto social, político, econômico e cultural completamente diferente.

Eu vivo me surpreendendo em minhas viagens: principalmente comigo mesmo. Meus planos são sempre jogados pela janela em algumas horas. Andando por uma rua, vejo algo interessante e me esqueço do museu que planejei visitar. Dirigindo-me a um restaurante, vejo que tem muitos turistas e entro em um café. Há ainda os momentos em que desisto de tudo e simplesmente volto para o hotel para me dedicar a uma atividade gostosa de ser feita em outro lugar: nada. Recomendo que todos façam isso ao menos uma vez – esqueçam o frenesi de ver tudo e simplesmente não faça nada. Esse deve ser o maior dos luxos de um viajante! Afinal, quem conseguiria ver tudo? Ninguém.

Viajar faz bem para o cérebro porque ele descansa sem parar. Temos a sensação de que o desligamos, mas ele continua lá: aliás, está trabalhando mais do que o normal. Ele registra as novas informações, compara referências e nos surpreende com realidades que pertenciam apenas à imaginação.

Estou planejando a próxima viagem…

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Saudáveis contra as expectativas (?)

O que as seis pessoas abaixo têm em comum?

Eles são apenas 6 dos competidores do concurso PETA’s Sexiest Vegetarian Next Door. Eu geralmente sou contra esse tipo de concurso de beleza, mas a iniciativa da PETA é interessante e tem um fundamento diferente – quebrar os preconceitos. Muitas pessoas ainda acham que os vegetarianos têm pele “esverdeada”, são esqueléticos, etc. O concurso é uma maneira de mostrar que a beleza não depende da ingestão de carne e que se esse é um fator decisivo para que as pessoas não sejam vegetarianas, ele deveria ser deixado de lado.

Confesso que estou demorando um pouco para cortar as outras carnes da minha vida (atualmente, só não como carne vermelha), mas o concurso é um belo estímulo. Só falta eles contarem o segredo para ficarem assim! 😉

Conheça os outros concorrentes no site da PETA. A votação se encerra no dia 16 de abril.

Mea culpa: eu escolhi com cuidado os 6 concorrentes desse post. Há alguns concorrentes bem esranhos… =P

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Comemoração de golpe

Esse vídeo da ótima Agnes Zuliani no Terça Insana se faz necessário quando alguns julgam pertinente comemorar o aniversário de Golpe de 64.  Não é nem mau gosto; é debochar de um país inteiro.

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Grandes expectativas

Vivemos na expectativa: do que o amanhã nos traz e, também, de tantas outras coisas…! O que complica nosso jogo de expectativas não é sua existência per se, mas a certeza de que, se não forem atingidas, podemos não ter uma nova chance. É como se jogássemos roleta russa desejando não ser premiado com a única bala do tambor: não há nada a fazer quando o gatilho dispara o invólucro de pólvora.

Apesar do olhar trágico e drástico, não é bem esse o viés que quero abordar: acho que, na vida, vivemos situações bem mais simples em que expectativas são ou não alcançadas; nosso grande desafio é aprender a lidar com o sucesso e fracasso constantes que elas nos apresentam.

Na semana passada, por exemplo, aceitei o desafio de dar um curso rápido para poucos alunos. Apesar de ser um tema sobre o qual não me sinto inseguro de falar e já estar relativamente acostumado a falar em público – inclusive para plateias maiores! – o que realmente me deixou “travado” foi ver que todos na sala de aula olhavam para mim esperando por respostas. O fato é que eu não tenho respostas – ninguém as tem. Mas nós procuramos assim mesmo. Pela primeira vez, entendi o que é estar do outro lado e, apesar de ter sido bem avaliado pelos alunos, continuo com a sensação de que eles saíram da sala na última aula com mais perguntas do que respostas.

Mas as expectativas vão além das outras pessoas: às vezes, esperamos algo do mundo. Grandes Esperanças, livro de Charles Dickens que, particularmente, considero um festival de soníferos, é justamente sobre esse tema e transformou-se num belo filme com Ethan Hawke e Gwyneth Paltrow.

A história do famoso Pip já foi adaptada inúmeras vezes e ainda hoje mexe com o imaginário de todos. O grande acerto de Dickens foi mostrar que as expectativas definem o ser humano e não somente fazem parte dele. O assunto será sempre atual porque carregamos conosco as expectativas e, com elas, a sensação de que podemos nos frustrar a cada instante.

Talvez isso explique a quantidade crescente de pacientes em tratamentos com ansiolíticos. Se, por um lado, não podemos viver sem esperar nada dos outros e do mundo, tampouco sabemos lidar com o crescente acúmulo de ansiedade resultantes das expectativas.

Algumas vezes, basta irmos até a última aula e fazer com que nossos alunos entendam que as perguntas são mais ricas do que as respostas. Outras vezes, precisamos abraçar uma pessoa e sussurrar algumas palavras em seu ouvido – palavras com sentido apenas para os dois. Muitas vezes precisamos parar, respirar e entender que expectativas frustradas são apenas isso -e que a vida seguirá seu curso.

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Para sempre é muito tempo

Textos sobre amigos sempre pecam pela pieguice. Até a Canção da América já cansou com seu “amigo é coisa para se guardar…” e ninguém mais coloca em dúvida a importância dos amigos – mesmo que o conceito tenha se tornado quase desprovido de seu sentido original depois do surgimento das Redes Sociais. Para mim, amigo é alguém que acrescenta algo à nossa vida, que possui um lugar que não pode ser preenchido por uma outra pessoa qualquer. Amigo nem sempre é para sempre. Amigo pode virar conhecido e conhecido pode virar amigo. Amigo pode ser uma pessoa que te deixa com raiva e também pode ser uma pessoa que você prefere não ver com muita frequência. Amigo é meio sem regra.

Mas o que não pode acontecer é você julgar amigo de amigo. Particularmente, eu tendo a bater em retirada quando percebo que um amigo está se cercando de pessoas das quais não gosto. Não vejo muito sentido em criticar para o amigo quem ele escolheu como companhia – e pode ser que ele não me veja mais como uma pessoa com quem tem afinidades. Acontece. A única regra que considero indiscutível para qualquer amizade é o ‘respeito’. Sem ele, não há relação humana que se mantenha. Quando acaba o respeito, é garantido que a amizade acaba junto.

Algumas vezes ouço um comentário ou outro de algum amigo falando sobre outro: “Como você o aguenta?” Mesmo sabendo que alguns dos meus amigos são pessoas de convívio complicado, a única explicação que posso dar é a mais simples – por mais difícil que possam parecer, esses amigos também acham o respeito essencial. Se são para sempre por isso?

Na história do Cão e da Raposa, esta última fala para a Coruja que será amiga do Cão para sempre, ao que a Coruja responde: “Minha querida, para sempre é muito tempo.”

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O pior livro de todos os tempos: a Bíblia

Terminei de ler recentemente um livro intitulado “Being gays is disgusting or God likes the smell of burning fat”, escrito por Edward Falzon. Falzon passa pelos textos da Bíblia com dois objetivos principais: questionar as “verdades” contidas na obra e, principalmente, debochar dos absurdos pouco mencionados pelas religiões que levam a Bíblia ao pé da letra. Seu objetivo não é desrespeita-las, mas fazer um alerta: “Ninguém deveria aceitar cegamente algo que não faz sentido, não importa quão fervorosamente isso é apresentado e repetido… e repetido… e repetido.” Em um dos trechos, que faz alusão ao título, ele comenta como é digno de nota o fato da Bíblia considerar sexo entre pessoas do mesmo sexo mais grave do que zoofilia.

O tom usado por Falzon vai do politicamente incorreto à heresia total e completa. Deus conversa com Moisés usando gírias como “‘sup?'” e “m’kay?”. O livro vale pelas boas risadas, mas também por apontar aquilo que muita gente já sabe: a Bíblia é, provavelmente, um dos livros mais mal escritos de todos os tempos. Falzon aponta as contradições entre os trechos, menções aleatórias a personagens que surgem e desaparecem sem deixar vestígios (o que é conhecido como deus ex-machina no cinema: a solução surgida do nada para compensar uma falha do roteiro) e, principalmente, a ilusão de que todas aquelas páginas tem muito conteúdo. Em alguns capítulos, ele apenas indica ao leitor que aquele trecho da Bíblia é uma repetição de outro e se recusa a reproduzi-lo.

Falzon não é o primeiro a apontar os perigos da Bíblia. Os Gershwin, em sua música “It ain’t necessarily so”, questionam também as verdades dela:

It ain’t necessarily so
It ain’t necessarily so
The t’ings dat yo’ li’ble (The things that you’re liable)
To read in de Bible, (To read in the Bible)
It ain’t necessarily so.

A música faz parte de uma peça na qual um dos personagens lista histórias famosas da Bíblia para mostrar como podem ser absurdas se interpretadas literalmente, algo que muitos religiosos insistem em fazer até hoje.

Então, por que o título? Como toda obra, a qualidade de um livro está dividida em duas – parte dela depende do autor (algo complicado de avaliar no caso da Bíblia), e parte dela depende do leitor. Um leitor medíocre pode transformar um livro num verdadeiro lixo. E, infelizmente, os leitores da Bíblia são, em sua maioria, medíocres – o que a transformou no pior livro de todos os tempos.

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Novos relacionamentos e a lista de fatos igorados

Alguns apressadinhos anunciam namoro menos de mês após terem conhecido a famosa (e suposta) cara-metade. Outros, mais cautelosos (menos carentes?), esperam conhecer melhor a pessoa antes de decidir se querem investir no relacionamento. Há também quem prefira deixar a situação se desenrolar sem pressa, o que pode durar alguns meses. Uma minoria aposta nos relacionamentos alternativos: a três, abertos, etc. Mas nenhuma dessas pessoas escapa da realidade: o ser humano é mutante e nunca podemos completamente conhecer quem está ao nosso lado – o que fazemos é tentar minizar nossa ignorância. Muitas vezes, nessa missão, deixamos escapar detalhes que poderiam ser a brecha para vermos algo muito maior.

Um amigo – que teve sua cota de surpresas desagradáveis em relacionamentos – comentou que antes de embarcar no último namoro fez uma “brincadeira” despretensiosa: a lista de coisas que um provavelmente não sabia sobre o outro depois de 4 meses que haviam se conhecido. Segundo ele, as surpresas de ambos foi muito mais positiva do que negativa – o que explica, em parte, estarem juntos hoje.

Umberto Eco já dedicou um livro inteiro à Vertigem das Listas – e à dualidade que elas representam (elas ampliam ou restringem o nosso olhar?) e  Nick Hornby antes dele transformou a lista em um elemento da cultura pop com seu livro Alta Fidelidade. Ou seja: elas são uma realidade à qual nos apegamos algumas vezes.

Recentemente confrontado com a questão da lista dos fatos ignorados a meu respeito, tudo que consegui levantar foi o que segue abaixo – e tenho sérias dúvidas sobre a relevância de alguns dos itens. Considerando que ela foi feita com uma única pessoa em mente, alguns dos fatos não podem ser considerados exatamente um segredo…

1. Apesar de ser destro, não consigo usar o mouse do computador/Mac com a mão direita;

2. Detesto Madonna (isso todos sabem), mas tenho um CD dela – Ray of Light – que acho bom. Talvez o que mais me incomode na chatinha são seus fãs;

3. Não gosto de ler livros emprestados ou de Biblioteca. Um dos motivos é que os levo para a cama para uma leitura breve antes de dormir e preciso saber por onde eles “andaram”. O outro motivo tem a ver com as marcações que as pessoas fazem nas obras: odeio!;

4. Muito do que eu não faço hoje eu já fiz no passado, mas não falo porque parecem pertencer a outra vida: já comi chocolate (depois de anos sem colocar um na boca, meu organismo criou mecanismo de rejeição), já tomei refrigerante, já comi carne vermelha e já bebi cerveja (Skol Beats, mas nunca fui muito fã, e Heineken de vez em nunca);

5. Meu gosto musical, apesar de eclético, hoje não comporta mais “licenças bizarras” como na época da minha pré-adolescência, quando tive dois CDs de axé;

6. O primeiro “amor” foi público: nós tínhamos 4 ou 5 anos e até nossos pais sabiam. No dia dos namorados, minha mãe comprou um brinco para eu dar de presente e na formatura do ginásio (hoje a 9ª série), o pai dela veio me cumprimentar;

7. O primeiro escritor de quem li mais de um livro foi Monteiro Lobato. Com exceção dele, só há outro escritor cuja coleção de ficção eu li inteira: Milan Kundera (considerando somente a coleção do Sítio de Lobato);

8. Como estudei em colégio técnico (Ensino Médio), no último ano eu entrei para um cursinho porque não queria perder mais um ano para entrar na faculdade. Foi o professor de história de lá que me apresentou o cinema francês – e em grande estilo: A Rainha Margot, de Patrice Chéreau;

9. Minha cama possui hoje 8 almofadas e 3 delas possuem um lugar específico. Mas a coisa não foi sempre assim: eu era uma das pessoas mais desorganizadas do mundo – até ir à casa de uma amiga e ver o quarto dela totalmente arrumado. No mesmo dia, voltei para casa, arrumei meu quarto inteiro e desde então fico perturbado quando ele não está minimamente organizado;

10. Tendo a não gostar daquilo que agrada muita gente e a explicação é simples: tenho a sensação de que, para agradar a todos, falta personalidade. Isso se aplica a pessoas, mas também a situações, objetos, conceitos, etc.;

11. Se eu sei que algo é esperado de mim – como se fosse previsível – eu provavelmente farei o oposto, mesmo que isso possa ser mais complicado. Um misto de birra com vontade de fazer “diferente”…

E você? Já pensou no que seu namorado/sua namorada não sabe sobre você e vice-versa? 😉

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Antiamores para uma segunda chuvosa

Três músicas sempre me chamaram a atenção por serem absolutamente pessimistas em relação ao amor… Quer assunto mais propício para uma segunda-feira?

1. Minnie Driver – Learn to be lonely

A música foi composta especialmente para o filme “O Fantasma da Ópera”, porque Minnie Driver, apesar de ser cantora, precisou ser dublada no papel de cantora de ópera. A mensagem é bem pesada: “Learn how to live life that is lived alone”.

2. Cher – Blowin’ Away 

Regravação que ficou muito boa com o tom melancólico grave de Cher:  “Life has lost it mystery and love is blind – cannot find me”

3. The Carpenters – Goodbye to love

A única das três que possui um resquício de esperança no final (“There may come a time when I will see that I’ve been wrong…”)

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Perfumes de verão

Os cítricos são uma ótima opção para o calor do verão. Minhas escolhas entre eles sempre são:

Eau d’orange verte e Voyage d’Hermès. Uma marca que mantém um perfumista exclusivo para desenvolver seus perfumes tem muita vantagens sobre as demais…

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Medindo o nível de álcool no sangue

Um bom guia para o fim de semana… Mas algo proibido para mim, que estou com uma faringite maldita há duas semanas e fui proibido de beber por 5 dias. =(

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