Arquivo mensal: janeiro 2012

Pequenas doses de sinceridade

Quem não gosta de ouvir opiniões verdadeiras não deveria ter amigos. E não vale mimimi alegando bullying (todas as doses de sinceridade abaixo são reais… felizmente, não fui vítima de todas).

Dose de sinceridade 1:

– Sabe qual a vantagem de você ter raspado os cabelos? Agora você não precisa se preocupar com o que vai vestir: nada vai ficar bom, mesmo.

Dose de sinceridade 2:

– Eu sei que você comprou essa roupa porque eu falei que você se vestia mal, mas… melhor se  vestir mal sem tentar do que tentando. Tira essa camiseta agora!

Dose de sinceridade 3:

– Você tá num restaurante japonês com seus pais? Mas todo mundo combinou de ir hoje no restaurante japonês! Quer saber, cansei dessa conversa. Vou desligar na sua cara. (clic)

Dose de sinceridade 4:

– Se você quer ficar com alguém hoje, melhor parar de dançar.

Dose de sinceridade 5:

– O quê? Você achou que cabelo azul ia estragar só o seu visual? Não, era óbvio que ele ia estragar mais coisas.

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Sobre aquilo que não sabemos

Jantam juntos para colocar os pingos nos “is”. Afinal, que sentido faz duas pessoas que estão atraídas uma pela outra física e intelectualmente não ficarem juntas? Os últimos meses foram tão conturbados com os jogos, as mensagens confusas e a corrida pelo posto de “mais forte” que haviam se esquecido do principal – momentos de intimidade, beijos roubados, olhares cúmplices que excluem todos ao redor. Não tinham visto o fim chegando, sorrateiro, e decretando a falência de uma relação inexistente. As pessoas são muitas vezes como o casal sentado frente a frente no restaurante; falam e fazem tanto que se esquecem dos silêncios eloquentes. De novo, não dão espaço a ele – falam, justificam, explicam e pedem explicações entre uma garfada e um gole de vinho. O ser humano é carente demais e precisa de palavras.

Por fim, quando o assunto se esgota (ele se esgota?), o silêncio consegue se impor e os dois trocam um olhar sem sentimentos grandiosos. Entendem, na ausência das palavras, o que aconteceu e sabem que não há espaço para consertos. Provavelmente ficarão atentos quando outras pessoas chegarem em suas vidas para que o mesmo não se repita, mas não têm certeza de que conseguirão.

Pagam a conta, despendem-se e caminham separadamente para suas vidas, que não se encontrarão mais.

Algumas pessoas são assim. Viciam-se em ser solteiras e não sabem mais como fazer parte de um casal – não importa em que estágio (há casais se formando, casais se consolidando, casais se desfazendo, casais se refazendo…). Suas vidas giram em torno de prazeres individuais, momentos compartilhados com amigos e família, flertes natimortos, toques frios para garantir aos outros que ainda pulsam.

As outras pessoas procuram justificativas. Inventam traumas, criam karmas imaginários, procuram por respostas nos lugares errados.

Os dois caminham separados porque não sabem ser parte de um casal. Assim como alguns não sabem ser parte de uma vida individual.

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Diário do infiel

Passeando por Paris no ano passado, entrei numa livraria (tipo de estabelecimento que eu faço questão de visitar em qualquer país) e acabei esbarrando no “Diário do infiel”, de Pierre Salducci. O tema é algo que me atrai (talvez quase na mesma medida em que me desagrada), então resolvi comprar.

O Prefácio já soa como uma desculpa do autor, que diz não se lembrar direito dos acontecimentos – encontrada em um caderno que era seu diário aos 25 anos – e parece esperar ser perdoado por isso. A história é banal: Pierre está sufocado pelo relacionamento com Jean e decide morar em um apartamento separado (ainda que no mesmo prédio). Logo, ele está envolvido com Christophe, um jovem que divide apartamento com um grupo sempre promovendo festas regadas a bebidas e drogas, e Kamel, um garoto ainda com certa inocência e vindo de uma família conservadora.

Pierre Salducci não é um grande escritor (apesar do livro se autoproclamar um sucesso na época em que foi publicado pela primeira vez), mas não é exatamente o estilo do texto que o torna enfadonho: o problema é que o autor tenta, a todo custo, racionalizar as traições que comete para poder justificar a sua atitude e ser considerado inocente. Como se trata de um diário, as páginas parecem ser sua maneira de tentar perdoar a si mesmo pelo que ele, no fundo, considera errado. E a partir de um momento, os leitores simplesmente perdem todo o respeito por ele – aqueles que consideram traição algo completamente condenável o abandonam porque suas justificativas começam a ficar patéticas; já aqueles que consideram traição como algo normal o abandonam porque se cansam das justificativas para algo que não condenam.

Moral da história? Quem trai deve fazê-lo conscientemente e não fingir ter um código de valores que leva em consideração terceiros. Já que é pra fazer a merda, então desencane da pose de filósofo de relacionamentos contemporâneos: não cai bem!

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Sr. Ninguém, um gato e infinitas possibilidades

Mr. Nobody é um filme de 2011 com Jared Leto, Diane Kruger, Rhys Ifans e Sarah Polley sobre as vidas possíveis do personagem-título. O tema já foi explorado em outros filmes anteriores, de maneiras diferentes. “Corra, Lola, corra” apoiou-se no estilo das ‘vidas’ dos personagens de video-game, que têm a oportunidade de aprender algo e aplicar a experiência na vida seguinte. “De caso com o acaso” preferiu um viés de comédia romântica e deu à personagem de Gwyneth Paltrow duas opções – pegar ou não o metrô e, por consequência, flagrar ou não o namorado com outra.

O curioso em Mr. Nobody é que ele leva o espectador ao longo de mais de duas horas sem explicar ao certo qual vida é a “original”, quais são apenas “alternativas” e, em alguns momentos, qual opção levou a outra. A história é contada pelo próprio Mr. Nobody, o último ser humano mortal vivendo no futuro, mas ele tem problemas de memória e por vezes fica difícil saber o que está inventando – tudo para explorar o tema das possibilidades.

Dentre as obsessões contemporâneas, essa é uma das mais significativas porque faz parte do nosso dia a dia. Cada escolha deixa para trás uma série de vidas não vividas e muitas vezes ficamos presos ao “e se?” que ela traz. São as possibilidades – vividas ou não – que dificultam nosso desprendimento do passado: estamos constantemente olhando por cima dos ombros para ter certeza de que não deixamos algo valioso para trás. Aquele “sim” ou aquele “não” estragaram nosso presente? Ou ele seria pior se tivéssemos feito a escolha contrária?

No fundo, estamos obcecados com as possibilidades ou apenas queremos validar as nossas escolhas? Talvez o cantor francês Fabrice Mauss tenha resumido bem essa questão em sua música “Le Chat” (O gato):

Eu teria amado ser um gato

Para ter sete vidas

E poder te dizer, apesar disso tudo,

Que minha preferida é esta.

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Pequenas irregularidades de personalidade

Raramente percebemos o abismo que nos separa da maioria dos seres humanos, tão acostumados estamos de nos cercarmos de pessoas mais ou menos semelhantes a nós mesmos. É somente quando saímos da nossa zona de conforto/do nosso círculo de amizades que percebemos esse vasto espaço que, se nos arriscamos a vencer, traz muitas lições.

Mas no meu caso, até os amigos me acham muito peculiar – o que não deixa de ser irônico se eu pensar no quanto tentei passar despercebido e ser o mais comum possível nos anos do auge da minha timidez.

Talvez o que mais me afaste das outras pessoas – a minha pequena irregularidade de personalidade – seja a visão dos relacionamentos. Há algumas semanas, conversando com uma amiga do trabalho que conhecia pouco da minha história, relatei um pouco do que aconteceu comigo nos últimos anos. Ao final, depois de muito debate, ela recomendou que eu tornasse tudo mais fácil.

Porque, de fato, eu gosto das coisas difíceis. Quanto menos eu compreender, mais me interessa. Quanto mais complicado, mais apaixonado. Quanto menos emocionante, menos vínculo.

O que dizer, por exemplo, do caso que durou meses sem sequer um beijo, em que ofensas por SMS em plena madrugada intercalavam-se com momentos românticos em família?

Mas quer saber?  Mais insanos são aqueles que, constantemente, buscam meus conselhos. Sinceramente…!

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Confesso que me rendi

O primeiro livro que li em um aparelho eletrônico? Não faço a mínima ideia, porque eu tinha a sensação de que não deveria ler em formato digital nenhuma obra potencialmente relevante – na época, o que eu usava para ler era meu primeiro smartphone (Nokia E62). Quando troquei para o Nokia E71, com sua tela bem menor, descartei toda a possibilidade de carregar livros nele.

Eis que, com  um iPad na mão, decidi pegar o aplicativo do Kindle (E confesso que deixei o iBooks de lado porque achei-o simplesmente feio – uma prateleira de “madeira”? Mas é para ser moderno ou nostálgico?). Comecei com o mesmo pensamento de quando comecei a ler no meu celular: vou comprar somente livros mais leves e baratinhos.

Mas confesso que agora o meu Kindle para iPad está repleto de livros – incluindo 1Q84, de Haruki Murakami. Pior: outro dia, com um livro impresso na mão, senti falta daquela praticidade de colocar o dedo sobre a palavra e ter a definição dela logo ali, à disposição.

Entretanto, nem é isso que mais me agrada: agora não pago o frete dos livros que comprava na Amazon e eles estão prontos para serem lidos em segundos. O perigo é o “Compre com um clique” da Amazon, que está abarrotando o meu iPad de livros…

Se parei de comprar livros impressos? Não. Inclusive, hoje chegou um novo aqui. É uma relação diferente com a obra, mas o conteúdo, em sua essência, é o mesmo: e as obras contam pelo seu conteúdo.

Se é bom, não sei. Conto depois 😉

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Eu não sei se as musas são eternas

Às vezes lembro-me de você. Talvez não de você, mas de mim quando você existia na minha vida. Minha memória é ruim (eu esqueço com facilidade de mim mesmo), então sempre você volta à minha vida provocando um sobressalto e eu fico sem saber direito o que fazer. Ficar sem saber direito o que fazer é uma anomalia. Que musa deixa seu artista sem saber o que fazer? É nessas horas que eu me pergunto se as musas são eternas.

Se você tivesse sido minha musa…

Eu não precisava ver seu rosto nem ouvir sua voz. Você existia em algum lugar no mundo quando a inspiração chegava, mas era no lugar em mim onde você também existia – era nesse lugar que você fazia a diferença nos momentos de criação.

Se você tivesse sido minha musa…

O mundo acabou quando eu descobri que você podia incentivar a criação de outro. Se mais alguém buscava inspiração em você – e conseguia – minha obra não era mais apenas minha. Uma versão (pior, se você quer saber minha opinião) também circulava pelo mundo.

Se você tivesse sido minha musa…

As páginas que prometiam ficar em branco para sempre continuaram sendo preenchidas. Uma arte menos suave. Mais ríspida. Menos agradável. Mais áspera. Menos bonita. Mais bonita.

Se você tivesse sido minha musa…

Não há vazio.

E eu não sei se as musas são eternas.

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We are young

Uma novidade (menos de 500 mil views no YouTube ainda pode ser considerada novidade!) gostosa para finalizar a segunda: .fun

Tem algo mais contemporâneo do que sentir-se bem?

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Fashion don’t

Swackett é um aplicativo com previsão do tempo para iOS que foge do padrão dos demais: simples, ele ainda ajuda você a decidir a roupa que vai usar baseado na temperatura e sensação térmica, além do sol, chuva, etc. O único problema da proposta é que as roupas sugeridas são uma lista infinita de Fashion dont’s. Por exemplo, o que ele sugere para São Paulo e Paris amanhã?

O parisiense está protegido do frio e razoavelmente bem vestido. Agora, o paulistano, aparentemente, está indo à praia.

Alô, equipe Swackett! Achamos ótimo que vocês já saibam que o Brasil não é uma floresta de norte ao sul. Agora está na hora de aprender que o litoral não representa nem 1/3 do território!

Ainda assim, vale pela proposta divertida! Se você usa iOS, pegue de graça na Apple Store ou conheça mais no site.

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Marco Zero

Para começar o blog (e o ano), selecionei o único cartão que chegou no meu e-mail que realmente é diferente e inspirador sem ser cafona ou piegas. Atenção ao logo da marca, que foi alterado para a ocasião!

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