Arquivo mensal: fevereiro 2012

Novos relacionamentos e a lista de fatos igorados

Alguns apressadinhos anunciam namoro menos de mês após terem conhecido a famosa (e suposta) cara-metade. Outros, mais cautelosos (menos carentes?), esperam conhecer melhor a pessoa antes de decidir se querem investir no relacionamento. Há também quem prefira deixar a situação se desenrolar sem pressa, o que pode durar alguns meses. Uma minoria aposta nos relacionamentos alternativos: a três, abertos, etc. Mas nenhuma dessas pessoas escapa da realidade: o ser humano é mutante e nunca podemos completamente conhecer quem está ao nosso lado – o que fazemos é tentar minizar nossa ignorância. Muitas vezes, nessa missão, deixamos escapar detalhes que poderiam ser a brecha para vermos algo muito maior.

Um amigo – que teve sua cota de surpresas desagradáveis em relacionamentos – comentou que antes de embarcar no último namoro fez uma “brincadeira” despretensiosa: a lista de coisas que um provavelmente não sabia sobre o outro depois de 4 meses que haviam se conhecido. Segundo ele, as surpresas de ambos foi muito mais positiva do que negativa – o que explica, em parte, estarem juntos hoje.

Umberto Eco já dedicou um livro inteiro à Vertigem das Listas – e à dualidade que elas representam (elas ampliam ou restringem o nosso olhar?) e  Nick Hornby antes dele transformou a lista em um elemento da cultura pop com seu livro Alta Fidelidade. Ou seja: elas são uma realidade à qual nos apegamos algumas vezes.

Recentemente confrontado com a questão da lista dos fatos ignorados a meu respeito, tudo que consegui levantar foi o que segue abaixo – e tenho sérias dúvidas sobre a relevância de alguns dos itens. Considerando que ela foi feita com uma única pessoa em mente, alguns dos fatos não podem ser considerados exatamente um segredo…

1. Apesar de ser destro, não consigo usar o mouse do computador/Mac com a mão direita;

2. Detesto Madonna (isso todos sabem), mas tenho um CD dela – Ray of Light – que acho bom. Talvez o que mais me incomode na chatinha são seus fãs;

3. Não gosto de ler livros emprestados ou de Biblioteca. Um dos motivos é que os levo para a cama para uma leitura breve antes de dormir e preciso saber por onde eles “andaram”. O outro motivo tem a ver com as marcações que as pessoas fazem nas obras: odeio!;

4. Muito do que eu não faço hoje eu já fiz no passado, mas não falo porque parecem pertencer a outra vida: já comi chocolate (depois de anos sem colocar um na boca, meu organismo criou mecanismo de rejeição), já tomei refrigerante, já comi carne vermelha e já bebi cerveja (Skol Beats, mas nunca fui muito fã, e Heineken de vez em nunca);

5. Meu gosto musical, apesar de eclético, hoje não comporta mais “licenças bizarras” como na época da minha pré-adolescência, quando tive dois CDs de axé;

6. O primeiro “amor” foi público: nós tínhamos 4 ou 5 anos e até nossos pais sabiam. No dia dos namorados, minha mãe comprou um brinco para eu dar de presente e na formatura do ginásio (hoje a 9ª série), o pai dela veio me cumprimentar;

7. O primeiro escritor de quem li mais de um livro foi Monteiro Lobato. Com exceção dele, só há outro escritor cuja coleção de ficção eu li inteira: Milan Kundera (considerando somente a coleção do Sítio de Lobato);

8. Como estudei em colégio técnico (Ensino Médio), no último ano eu entrei para um cursinho porque não queria perder mais um ano para entrar na faculdade. Foi o professor de história de lá que me apresentou o cinema francês – e em grande estilo: A Rainha Margot, de Patrice Chéreau;

9. Minha cama possui hoje 8 almofadas e 3 delas possuem um lugar específico. Mas a coisa não foi sempre assim: eu era uma das pessoas mais desorganizadas do mundo – até ir à casa de uma amiga e ver o quarto dela totalmente arrumado. No mesmo dia, voltei para casa, arrumei meu quarto inteiro e desde então fico perturbado quando ele não está minimamente organizado;

10. Tendo a não gostar daquilo que agrada muita gente e a explicação é simples: tenho a sensação de que, para agradar a todos, falta personalidade. Isso se aplica a pessoas, mas também a situações, objetos, conceitos, etc.;

11. Se eu sei que algo é esperado de mim – como se fosse previsível – eu provavelmente farei o oposto, mesmo que isso possa ser mais complicado. Um misto de birra com vontade de fazer “diferente”…

E você? Já pensou no que seu namorado/sua namorada não sabe sobre você e vice-versa? 😉

Anúncios
Etiquetado ,

Antiamores para uma segunda chuvosa

Três músicas sempre me chamaram a atenção por serem absolutamente pessimistas em relação ao amor… Quer assunto mais propício para uma segunda-feira?

1. Minnie Driver – Learn to be lonely

A música foi composta especialmente para o filme “O Fantasma da Ópera”, porque Minnie Driver, apesar de ser cantora, precisou ser dublada no papel de cantora de ópera. A mensagem é bem pesada: “Learn how to live life that is lived alone”.

2. Cher – Blowin’ Away 

Regravação que ficou muito boa com o tom melancólico grave de Cher:  “Life has lost it mystery and love is blind – cannot find me”

3. The Carpenters – Goodbye to love

A única das três que possui um resquício de esperança no final (“There may come a time when I will see that I’ve been wrong…”)

Etiquetado , , , , ,

Perfumes de verão

Os cítricos são uma ótima opção para o calor do verão. Minhas escolhas entre eles sempre são:

Eau d’orange verte e Voyage d’Hermès. Uma marca que mantém um perfumista exclusivo para desenvolver seus perfumes tem muita vantagens sobre as demais…

Etiquetado , , ,

Medindo o nível de álcool no sangue

Um bom guia para o fim de semana… Mas algo proibido para mim, que estou com uma faringite maldita há duas semanas e fui proibido de beber por 5 dias. =(

Etiquetado ,

Pavões da moda

O homem, tão apressado em se proclamar superior por ser racional, repete as atitudes dos machos das outras espécies sem perceber. Infelizmente, o ser humano é um daqueles animais que, ao contrário do pavão, do lebiste, do leão e do elefante, não possui nada para chamar a atenção do sexo oposto. As diferenças básicas de seu corpo são apenas aquelas necessárias para a reprodução e as mulheres/fêmeas não podem ser seduzidas visualmente.

A necessidade da sedução, contudo, existe. As maneiras dela se manifestar são diversas, mas enquanto alguns preferem recorrer ao intelecto (seja ele desenvolvido ou não), outros – sem perceber, muitas vezes – mimetizam os machos da outra espécie: buscam elevar-se com artimanhas visuais. O culto ao corpo, por exemplo. Ou o culto ao status:

As grandes marcas são aquelas que mais se aproveitam dessa fraqueza masculina e investem pesado em roupas que anunciam o poder financeiro de seus donos. Curiosamente, são essas mesmas marcas (com raras exceções) que jogam na cara de seus clientes o desespero dessa manobra – as linhas de luxo dessas marcas não levam seu nome estampado em lugar algum e seguem o conceito das linhas femininas (ou seja: só têm estampas aquelas roupas que atendem os “menos ricos”). Afinal, as mulheres não têm essa necessidade de exibir status – a não ser para suas rivais. Daí as estampas nos acessórios, que passam despercebidos pelos homens mas estabelecem a hierarquia entre as fêmeas.

Será que as regras mudam quando o desejo de atração é pelo mesmo sexo? Pelo que se vê, não: em alguns círculos, os homens gays reúnem as duas atitudes – o desejo de atrair (as roupas) e o desejo de elevar-se (os acessórios).

A selva está ao nosso redor. 😉

Etiquetado , , ,

Comida japonesa sem faux pas

Comida japonesa virou o que a pizza e os rodízios de carne já foram. Hoje, as grandes metrópoles e cidades menores têm um restaurante japonês a cada quarteirão. Mais do que isso, ir a um restaurante japonês virou um símbolo (ainda que em pequena escala) de status – seja porque a comida é mais cara, seja porque é mais difícil de ser apreciada. Mas o que os gaijins (em tradução simplista, os não-japoneses) não sabem é que estão, em 99% dos casos, indo a restaurantes com comida sem qualidade e/ou cometendo erros grosseiros de educação/etiqueta. Pensando nisso, resolvi fazer um post rápido com algumas informações essenciais para quem quer ou já aprecia a comida do Japão.

Itadakimasu!

1. Se a intenção é apreciar a boa culinária japonesa, fuja dos restaurante que oferecem rodízio. O preço dos outros é mais alto, de fato, mas para garantir a qualidade: eles compram peixe em menor quantidade, por exemplo, e o preparo é artesanal, ou seja, o sushiman dá mais atenção a cada prato que faz, ao invés da loucura dos rodízios.

2. Infalível dica da minha tia: ao entrar no restaurante, olhe ao redor. Se o número de japoneses for muito inferior ao de gaijins, o que você irá apreciar é a comida japonesa ocidentalizada. Ela pode ser de qualidade, mas não será a comida original. Prefira restaurantes em que japoneses são maioria. Se você souber identificar coreanos e chineses, também fuja de restaurantes em que eles são maioria: o paladar deles é diferente e eles preferem restaurantes japoneses que carregam no óleo, por exemplo.

3. Não acredite 100% nos críticos de jornais e revistas – pouquíssimos realmente entendem da culinária japonesa e fazem uma análise com os mesmos princípios de uma análise para um restaurante ocidental. Se você tiver um amigo japonês, valide a recomendação do crítico com ele!

4. É amor por comida japonesa? Aprenda a usar o ohashi. Nada pior do que colocar um elástico nele. Ou melhor, há algo pior, sim: você espetar a comida com ele. É um desrespeito com o sushiman que a preparou com todo cuidado! (Aliás: prefira “ohashi“, que é uma maneira mais polida de falar.)

5. Outro desrespeito com o sushiman (e uma maneira de não apreciar corretamente a comida):  mergulhar o gohan do niguiri sushi no shoyu. O correto é você passar apenas o peixe no shoyu (sem encharcá-lo!).

6. Essa dica é também de etiqueta: evite deixar seu ohashi em repouso apontando para a pessoa à sua frente (a ponta é o lado com o qual você segura a comida). Na hora de pegar algo no centro da mesa, faça com que ele esteja apontado para você.

7. Quando você vai comprar perfumes, as lojas deixam um pote de café para que seu olfato não te engane entre uma opção e outra. O gengibre tem o mesmo objetivo para a comida japonesa – se você está comendo sashimi de salmão, antes de passar ao atum, coma um pouco de gengibre para que seu paladar não fique comprometido! Isso vale para qualquer peixe que estiver servido.

8. Você ama Coca-Cola? Pois saiba que algumas bebidas afetam muito seu paladar e esse refrigerante é o rei! O ideal é evitar qualquer bebida que não seja água ou chá verde – ou então, deixe para beber depois de comer (uma opção altamente recomendada pelos médicos).

9. Temaki… tema complicado e delicado de abordar, por isso prefiro ir direto ao ponto: não coma. A maioria esmagadora dos gaijins não sabe comer temaki e o resultado, nos casos mais graves, é um festival de horrores e ofensas ao sushiman e a todos os clientes do restaurante. Se você gosta muito, passe em uma temakeria e compre um monte para treinar. Há poucas coisas mais desagradáveis do que uma pessoa comendo temaki enquanto shoyu escorre pela sua mão.

10. Uma regra de ouro para restaurantes típicos japoneses: mantenha sua voz baixa. Existe uma explicação simples para existirem poucos japoneses que falam alto – boa educação.

11. Essa dica é um pouco complicada, mas é importante. Se você tiver qualquer motivo para suspeitar que o peixe servido em determinado restaurante não é fresco, pergunte. O ideal é que ele tenha chegado no mesmo dia. Pode parecer rude fazer a pergunta, mas lembre-se que você está pagando e muitos restaurantes no Ocidente contam com o desconhecimento do cliente para servir peixe de dois dias antes, por exemplo.

12. Se você não está num rodízio, aproveite e tente outros pratos além dos mais famosos. No inverno, a boa dica é o Sukiayki, uma mistura preparada no centro da mesa (que esquenta todo o ambiente). No verão, tente o Hiyashi Somen, um macarrão frio geralmente servido com kombu (algas que não devem ser confundidas com nori).

13. Atenção: não leve gato por lebre. Ou melhor: não leve truta por salmão. Muitos restaurantes, principalmente as redes de fast food, servem truta salmonada no lugar do salmão. Pelo que percebi, a maioria está indicando a diferença no cardápio (em letras microscópicas),  o que deve indicar que alguns foram multados pela desonestidade. Na dúvida, pergunte.

14. Você já deve ter percebido que o clima do Japão não é propício para plantio de abacate ou manga. Por que, então, seu sushi vem com essas frutas? E o cream cheese teve sua origem na Europa quando o Japão ainda era um país fechado. Ou seja: livre-se da ocidentalização se você quer a culinária japonesa original.

15. Se você chegar num restaurante e perceber que o sushiman é, na verdade, uma sushiwoman, dê meia-volta e vá embora: a temperatura do corpo/mão afeta o preparo da comida e é por isso que atrás do balcão deve haver um homem.

O que não quer dizer que eu não coma os sushis feitos pela minha mãe… 😉 O que eu quero dizer com isso é que, apesar de existirem regras, você não precisa segui-las à risca para apreciar a comida japonesa.

Gotsosama!

Ah! Uma última dica para você, pessoa desastrada, que deixa shoyu cair na sua roupa sempre: peça ao garçom um pedaço de daikon (nabo) e esfregue no lugar imediatamente.

Etiquetado , , , , ,

Must have

A Moleskine anunciou a nova coleção limitada: LEGO!

Em tempos de textos inseridos direto no computador, os moleskines nos lembram “pensar com as mãos” ainda é muito válido!

Etiquetado ,