Arquivo mensal: maio 2012

Viajar faz bem para o cérebro

Quem fala que viajar faz bem para a alma não sabe nem ao menos definir “alma”, então como pode dizer o que é bom ou ruim para ela? Viajar faz bem, mesmo, é para o cérebro: aguça nossos sentidos, desafia nossas verdades, questiona quem somos e, no final, não somos a mesma pessoa que embarcou dias antes.

Viajar, porém, não é a mesma coisa que fazer turismo. Alain de Botton explica bem a diferença entre o viajante e o turista: o primeiro quer experimentar o lugar – sai desbravando um território novo, o segundo chega no hotel, pergunta do wi-fi e programa a visita aos pontos turísticos principais, sem se dar conta que está diante de uma oportunidade incrível de rever seu próprio mundo. Por mais interessantes que sejam as pirâmides do Egito, a Torre Eiffel, a Estátua da Liberdade e outros monumentos não oferecem experiências que chegam aos pés de uma simples conversa com alguém que seja de outro país, vivendo em um contexto social, político, econômico e cultural completamente diferente.

Eu vivo me surpreendendo em minhas viagens: principalmente comigo mesmo. Meus planos são sempre jogados pela janela em algumas horas. Andando por uma rua, vejo algo interessante e me esqueço do museu que planejei visitar. Dirigindo-me a um restaurante, vejo que tem muitos turistas e entro em um café. Há ainda os momentos em que desisto de tudo e simplesmente volto para o hotel para me dedicar a uma atividade gostosa de ser feita em outro lugar: nada. Recomendo que todos façam isso ao menos uma vez – esqueçam o frenesi de ver tudo e simplesmente não faça nada. Esse deve ser o maior dos luxos de um viajante! Afinal, quem conseguiria ver tudo? Ninguém.

Viajar faz bem para o cérebro porque ele descansa sem parar. Temos a sensação de que o desligamos, mas ele continua lá: aliás, está trabalhando mais do que o normal. Ele registra as novas informações, compara referências e nos surpreende com realidades que pertenciam apenas à imaginação.

Estou planejando a próxima viagem…

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