Arquivo da categoria: Cosmopolitanismos

Saudáveis contra as expectativas (?)

O que as seis pessoas abaixo têm em comum?

Eles são apenas 6 dos competidores do concurso PETA’s Sexiest Vegetarian Next Door. Eu geralmente sou contra esse tipo de concurso de beleza, mas a iniciativa da PETA é interessante e tem um fundamento diferente – quebrar os preconceitos. Muitas pessoas ainda acham que os vegetarianos têm pele “esverdeada”, são esqueléticos, etc. O concurso é uma maneira de mostrar que a beleza não depende da ingestão de carne e que se esse é um fator decisivo para que as pessoas não sejam vegetarianas, ele deveria ser deixado de lado.

Confesso que estou demorando um pouco para cortar as outras carnes da minha vida (atualmente, só não como carne vermelha), mas o concurso é um belo estímulo. Só falta eles contarem o segredo para ficarem assim! 😉

Conheça os outros concorrentes no site da PETA. A votação se encerra no dia 16 de abril.

Mea culpa: eu escolhi com cuidado os 6 concorrentes desse post. Há alguns concorrentes bem esranhos… =P

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Pavões da moda

O homem, tão apressado em se proclamar superior por ser racional, repete as atitudes dos machos das outras espécies sem perceber. Infelizmente, o ser humano é um daqueles animais que, ao contrário do pavão, do lebiste, do leão e do elefante, não possui nada para chamar a atenção do sexo oposto. As diferenças básicas de seu corpo são apenas aquelas necessárias para a reprodução e as mulheres/fêmeas não podem ser seduzidas visualmente.

A necessidade da sedução, contudo, existe. As maneiras dela se manifestar são diversas, mas enquanto alguns preferem recorrer ao intelecto (seja ele desenvolvido ou não), outros – sem perceber, muitas vezes – mimetizam os machos da outra espécie: buscam elevar-se com artimanhas visuais. O culto ao corpo, por exemplo. Ou o culto ao status:

As grandes marcas são aquelas que mais se aproveitam dessa fraqueza masculina e investem pesado em roupas que anunciam o poder financeiro de seus donos. Curiosamente, são essas mesmas marcas (com raras exceções) que jogam na cara de seus clientes o desespero dessa manobra – as linhas de luxo dessas marcas não levam seu nome estampado em lugar algum e seguem o conceito das linhas femininas (ou seja: só têm estampas aquelas roupas que atendem os “menos ricos”). Afinal, as mulheres não têm essa necessidade de exibir status – a não ser para suas rivais. Daí as estampas nos acessórios, que passam despercebidos pelos homens mas estabelecem a hierarquia entre as fêmeas.

Será que as regras mudam quando o desejo de atração é pelo mesmo sexo? Pelo que se vê, não: em alguns círculos, os homens gays reúnem as duas atitudes – o desejo de atrair (as roupas) e o desejo de elevar-se (os acessórios).

A selva está ao nosso redor. 😉

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Comida japonesa sem faux pas

Comida japonesa virou o que a pizza e os rodízios de carne já foram. Hoje, as grandes metrópoles e cidades menores têm um restaurante japonês a cada quarteirão. Mais do que isso, ir a um restaurante japonês virou um símbolo (ainda que em pequena escala) de status – seja porque a comida é mais cara, seja porque é mais difícil de ser apreciada. Mas o que os gaijins (em tradução simplista, os não-japoneses) não sabem é que estão, em 99% dos casos, indo a restaurantes com comida sem qualidade e/ou cometendo erros grosseiros de educação/etiqueta. Pensando nisso, resolvi fazer um post rápido com algumas informações essenciais para quem quer ou já aprecia a comida do Japão.

Itadakimasu!

1. Se a intenção é apreciar a boa culinária japonesa, fuja dos restaurante que oferecem rodízio. O preço dos outros é mais alto, de fato, mas para garantir a qualidade: eles compram peixe em menor quantidade, por exemplo, e o preparo é artesanal, ou seja, o sushiman dá mais atenção a cada prato que faz, ao invés da loucura dos rodízios.

2. Infalível dica da minha tia: ao entrar no restaurante, olhe ao redor. Se o número de japoneses for muito inferior ao de gaijins, o que você irá apreciar é a comida japonesa ocidentalizada. Ela pode ser de qualidade, mas não será a comida original. Prefira restaurantes em que japoneses são maioria. Se você souber identificar coreanos e chineses, também fuja de restaurantes em que eles são maioria: o paladar deles é diferente e eles preferem restaurantes japoneses que carregam no óleo, por exemplo.

3. Não acredite 100% nos críticos de jornais e revistas – pouquíssimos realmente entendem da culinária japonesa e fazem uma análise com os mesmos princípios de uma análise para um restaurante ocidental. Se você tiver um amigo japonês, valide a recomendação do crítico com ele!

4. É amor por comida japonesa? Aprenda a usar o ohashi. Nada pior do que colocar um elástico nele. Ou melhor, há algo pior, sim: você espetar a comida com ele. É um desrespeito com o sushiman que a preparou com todo cuidado! (Aliás: prefira “ohashi“, que é uma maneira mais polida de falar.)

5. Outro desrespeito com o sushiman (e uma maneira de não apreciar corretamente a comida):  mergulhar o gohan do niguiri sushi no shoyu. O correto é você passar apenas o peixe no shoyu (sem encharcá-lo!).

6. Essa dica é também de etiqueta: evite deixar seu ohashi em repouso apontando para a pessoa à sua frente (a ponta é o lado com o qual você segura a comida). Na hora de pegar algo no centro da mesa, faça com que ele esteja apontado para você.

7. Quando você vai comprar perfumes, as lojas deixam um pote de café para que seu olfato não te engane entre uma opção e outra. O gengibre tem o mesmo objetivo para a comida japonesa – se você está comendo sashimi de salmão, antes de passar ao atum, coma um pouco de gengibre para que seu paladar não fique comprometido! Isso vale para qualquer peixe que estiver servido.

8. Você ama Coca-Cola? Pois saiba que algumas bebidas afetam muito seu paladar e esse refrigerante é o rei! O ideal é evitar qualquer bebida que não seja água ou chá verde – ou então, deixe para beber depois de comer (uma opção altamente recomendada pelos médicos).

9. Temaki… tema complicado e delicado de abordar, por isso prefiro ir direto ao ponto: não coma. A maioria esmagadora dos gaijins não sabe comer temaki e o resultado, nos casos mais graves, é um festival de horrores e ofensas ao sushiman e a todos os clientes do restaurante. Se você gosta muito, passe em uma temakeria e compre um monte para treinar. Há poucas coisas mais desagradáveis do que uma pessoa comendo temaki enquanto shoyu escorre pela sua mão.

10. Uma regra de ouro para restaurantes típicos japoneses: mantenha sua voz baixa. Existe uma explicação simples para existirem poucos japoneses que falam alto – boa educação.

11. Essa dica é um pouco complicada, mas é importante. Se você tiver qualquer motivo para suspeitar que o peixe servido em determinado restaurante não é fresco, pergunte. O ideal é que ele tenha chegado no mesmo dia. Pode parecer rude fazer a pergunta, mas lembre-se que você está pagando e muitos restaurantes no Ocidente contam com o desconhecimento do cliente para servir peixe de dois dias antes, por exemplo.

12. Se você não está num rodízio, aproveite e tente outros pratos além dos mais famosos. No inverno, a boa dica é o Sukiayki, uma mistura preparada no centro da mesa (que esquenta todo o ambiente). No verão, tente o Hiyashi Somen, um macarrão frio geralmente servido com kombu (algas que não devem ser confundidas com nori).

13. Atenção: não leve gato por lebre. Ou melhor: não leve truta por salmão. Muitos restaurantes, principalmente as redes de fast food, servem truta salmonada no lugar do salmão. Pelo que percebi, a maioria está indicando a diferença no cardápio (em letras microscópicas),  o que deve indicar que alguns foram multados pela desonestidade. Na dúvida, pergunte.

14. Você já deve ter percebido que o clima do Japão não é propício para plantio de abacate ou manga. Por que, então, seu sushi vem com essas frutas? E o cream cheese teve sua origem na Europa quando o Japão ainda era um país fechado. Ou seja: livre-se da ocidentalização se você quer a culinária japonesa original.

15. Se você chegar num restaurante e perceber que o sushiman é, na verdade, uma sushiwoman, dê meia-volta e vá embora: a temperatura do corpo/mão afeta o preparo da comida e é por isso que atrás do balcão deve haver um homem.

O que não quer dizer que eu não coma os sushis feitos pela minha mãe… 😉 O que eu quero dizer com isso é que, apesar de existirem regras, você não precisa segui-las à risca para apreciar a comida japonesa.

Gotsosama!

Ah! Uma última dica para você, pessoa desastrada, que deixa shoyu cair na sua roupa sempre: peça ao garçom um pedaço de daikon (nabo) e esfregue no lugar imediatamente.

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