Pavões da moda

O homem, tão apressado em se proclamar superior por ser racional, repete as atitudes dos machos das outras espécies sem perceber. Infelizmente, o ser humano é um daqueles animais que, ao contrário do pavão, do lebiste, do leão e do elefante, não possui nada para chamar a atenção do sexo oposto. As diferenças básicas de seu corpo são apenas aquelas necessárias para a reprodução e as mulheres/fêmeas não podem ser seduzidas visualmente.

A necessidade da sedução, contudo, existe. As maneiras dela se manifestar são diversas, mas enquanto alguns preferem recorrer ao intelecto (seja ele desenvolvido ou não), outros – sem perceber, muitas vezes – mimetizam os machos da outra espécie: buscam elevar-se com artimanhas visuais. O culto ao corpo, por exemplo. Ou o culto ao status:

As grandes marcas são aquelas que mais se aproveitam dessa fraqueza masculina e investem pesado em roupas que anunciam o poder financeiro de seus donos. Curiosamente, são essas mesmas marcas (com raras exceções) que jogam na cara de seus clientes o desespero dessa manobra – as linhas de luxo dessas marcas não levam seu nome estampado em lugar algum e seguem o conceito das linhas femininas (ou seja: só têm estampas aquelas roupas que atendem os “menos ricos”). Afinal, as mulheres não têm essa necessidade de exibir status – a não ser para suas rivais. Daí as estampas nos acessórios, que passam despercebidos pelos homens mas estabelecem a hierarquia entre as fêmeas.

Será que as regras mudam quando o desejo de atração é pelo mesmo sexo? Pelo que se vê, não: em alguns círculos, os homens gays reúnem as duas atitudes – o desejo de atrair (as roupas) e o desejo de elevar-se (os acessórios).

A selva está ao nosso redor. 😉

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Comida japonesa sem faux pas

Comida japonesa virou o que a pizza e os rodízios de carne já foram. Hoje, as grandes metrópoles e cidades menores têm um restaurante japonês a cada quarteirão. Mais do que isso, ir a um restaurante japonês virou um símbolo (ainda que em pequena escala) de status – seja porque a comida é mais cara, seja porque é mais difícil de ser apreciada. Mas o que os gaijins (em tradução simplista, os não-japoneses) não sabem é que estão, em 99% dos casos, indo a restaurantes com comida sem qualidade e/ou cometendo erros grosseiros de educação/etiqueta. Pensando nisso, resolvi fazer um post rápido com algumas informações essenciais para quem quer ou já aprecia a comida do Japão.

Itadakimasu!

1. Se a intenção é apreciar a boa culinária japonesa, fuja dos restaurante que oferecem rodízio. O preço dos outros é mais alto, de fato, mas para garantir a qualidade: eles compram peixe em menor quantidade, por exemplo, e o preparo é artesanal, ou seja, o sushiman dá mais atenção a cada prato que faz, ao invés da loucura dos rodízios.

2. Infalível dica da minha tia: ao entrar no restaurante, olhe ao redor. Se o número de japoneses for muito inferior ao de gaijins, o que você irá apreciar é a comida japonesa ocidentalizada. Ela pode ser de qualidade, mas não será a comida original. Prefira restaurantes em que japoneses são maioria. Se você souber identificar coreanos e chineses, também fuja de restaurantes em que eles são maioria: o paladar deles é diferente e eles preferem restaurantes japoneses que carregam no óleo, por exemplo.

3. Não acredite 100% nos críticos de jornais e revistas – pouquíssimos realmente entendem da culinária japonesa e fazem uma análise com os mesmos princípios de uma análise para um restaurante ocidental. Se você tiver um amigo japonês, valide a recomendação do crítico com ele!

4. É amor por comida japonesa? Aprenda a usar o ohashi. Nada pior do que colocar um elástico nele. Ou melhor, há algo pior, sim: você espetar a comida com ele. É um desrespeito com o sushiman que a preparou com todo cuidado! (Aliás: prefira “ohashi“, que é uma maneira mais polida de falar.)

5. Outro desrespeito com o sushiman (e uma maneira de não apreciar corretamente a comida):  mergulhar o gohan do niguiri sushi no shoyu. O correto é você passar apenas o peixe no shoyu (sem encharcá-lo!).

6. Essa dica é também de etiqueta: evite deixar seu ohashi em repouso apontando para a pessoa à sua frente (a ponta é o lado com o qual você segura a comida). Na hora de pegar algo no centro da mesa, faça com que ele esteja apontado para você.

7. Quando você vai comprar perfumes, as lojas deixam um pote de café para que seu olfato não te engane entre uma opção e outra. O gengibre tem o mesmo objetivo para a comida japonesa – se você está comendo sashimi de salmão, antes de passar ao atum, coma um pouco de gengibre para que seu paladar não fique comprometido! Isso vale para qualquer peixe que estiver servido.

8. Você ama Coca-Cola? Pois saiba que algumas bebidas afetam muito seu paladar e esse refrigerante é o rei! O ideal é evitar qualquer bebida que não seja água ou chá verde – ou então, deixe para beber depois de comer (uma opção altamente recomendada pelos médicos).

9. Temaki… tema complicado e delicado de abordar, por isso prefiro ir direto ao ponto: não coma. A maioria esmagadora dos gaijins não sabe comer temaki e o resultado, nos casos mais graves, é um festival de horrores e ofensas ao sushiman e a todos os clientes do restaurante. Se você gosta muito, passe em uma temakeria e compre um monte para treinar. Há poucas coisas mais desagradáveis do que uma pessoa comendo temaki enquanto shoyu escorre pela sua mão.

10. Uma regra de ouro para restaurantes típicos japoneses: mantenha sua voz baixa. Existe uma explicação simples para existirem poucos japoneses que falam alto – boa educação.

11. Essa dica é um pouco complicada, mas é importante. Se você tiver qualquer motivo para suspeitar que o peixe servido em determinado restaurante não é fresco, pergunte. O ideal é que ele tenha chegado no mesmo dia. Pode parecer rude fazer a pergunta, mas lembre-se que você está pagando e muitos restaurantes no Ocidente contam com o desconhecimento do cliente para servir peixe de dois dias antes, por exemplo.

12. Se você não está num rodízio, aproveite e tente outros pratos além dos mais famosos. No inverno, a boa dica é o Sukiayki, uma mistura preparada no centro da mesa (que esquenta todo o ambiente). No verão, tente o Hiyashi Somen, um macarrão frio geralmente servido com kombu (algas que não devem ser confundidas com nori).

13. Atenção: não leve gato por lebre. Ou melhor: não leve truta por salmão. Muitos restaurantes, principalmente as redes de fast food, servem truta salmonada no lugar do salmão. Pelo que percebi, a maioria está indicando a diferença no cardápio (em letras microscópicas),  o que deve indicar que alguns foram multados pela desonestidade. Na dúvida, pergunte.

14. Você já deve ter percebido que o clima do Japão não é propício para plantio de abacate ou manga. Por que, então, seu sushi vem com essas frutas? E o cream cheese teve sua origem na Europa quando o Japão ainda era um país fechado. Ou seja: livre-se da ocidentalização se você quer a culinária japonesa original.

15. Se você chegar num restaurante e perceber que o sushiman é, na verdade, uma sushiwoman, dê meia-volta e vá embora: a temperatura do corpo/mão afeta o preparo da comida e é por isso que atrás do balcão deve haver um homem.

O que não quer dizer que eu não coma os sushis feitos pela minha mãe… 😉 O que eu quero dizer com isso é que, apesar de existirem regras, você não precisa segui-las à risca para apreciar a comida japonesa.

Gotsosama!

Ah! Uma última dica para você, pessoa desastrada, que deixa shoyu cair na sua roupa sempre: peça ao garçom um pedaço de daikon (nabo) e esfregue no lugar imediatamente.

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Must have

A Moleskine anunciou a nova coleção limitada: LEGO!

Em tempos de textos inseridos direto no computador, os moleskines nos lembram “pensar com as mãos” ainda é muito válido!

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Pequenas doses de sinceridade

Quem não gosta de ouvir opiniões verdadeiras não deveria ter amigos. E não vale mimimi alegando bullying (todas as doses de sinceridade abaixo são reais… felizmente, não fui vítima de todas).

Dose de sinceridade 1:

– Sabe qual a vantagem de você ter raspado os cabelos? Agora você não precisa se preocupar com o que vai vestir: nada vai ficar bom, mesmo.

Dose de sinceridade 2:

– Eu sei que você comprou essa roupa porque eu falei que você se vestia mal, mas… melhor se  vestir mal sem tentar do que tentando. Tira essa camiseta agora!

Dose de sinceridade 3:

– Você tá num restaurante japonês com seus pais? Mas todo mundo combinou de ir hoje no restaurante japonês! Quer saber, cansei dessa conversa. Vou desligar na sua cara. (clic)

Dose de sinceridade 4:

– Se você quer ficar com alguém hoje, melhor parar de dançar.

Dose de sinceridade 5:

– O quê? Você achou que cabelo azul ia estragar só o seu visual? Não, era óbvio que ele ia estragar mais coisas.

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Sobre aquilo que não sabemos

Jantam juntos para colocar os pingos nos “is”. Afinal, que sentido faz duas pessoas que estão atraídas uma pela outra física e intelectualmente não ficarem juntas? Os últimos meses foram tão conturbados com os jogos, as mensagens confusas e a corrida pelo posto de “mais forte” que haviam se esquecido do principal – momentos de intimidade, beijos roubados, olhares cúmplices que excluem todos ao redor. Não tinham visto o fim chegando, sorrateiro, e decretando a falência de uma relação inexistente. As pessoas são muitas vezes como o casal sentado frente a frente no restaurante; falam e fazem tanto que se esquecem dos silêncios eloquentes. De novo, não dão espaço a ele – falam, justificam, explicam e pedem explicações entre uma garfada e um gole de vinho. O ser humano é carente demais e precisa de palavras.

Por fim, quando o assunto se esgota (ele se esgota?), o silêncio consegue se impor e os dois trocam um olhar sem sentimentos grandiosos. Entendem, na ausência das palavras, o que aconteceu e sabem que não há espaço para consertos. Provavelmente ficarão atentos quando outras pessoas chegarem em suas vidas para que o mesmo não se repita, mas não têm certeza de que conseguirão.

Pagam a conta, despendem-se e caminham separadamente para suas vidas, que não se encontrarão mais.

Algumas pessoas são assim. Viciam-se em ser solteiras e não sabem mais como fazer parte de um casal – não importa em que estágio (há casais se formando, casais se consolidando, casais se desfazendo, casais se refazendo…). Suas vidas giram em torno de prazeres individuais, momentos compartilhados com amigos e família, flertes natimortos, toques frios para garantir aos outros que ainda pulsam.

As outras pessoas procuram justificativas. Inventam traumas, criam karmas imaginários, procuram por respostas nos lugares errados.

Os dois caminham separados porque não sabem ser parte de um casal. Assim como alguns não sabem ser parte de uma vida individual.

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Diário do infiel

Passeando por Paris no ano passado, entrei numa livraria (tipo de estabelecimento que eu faço questão de visitar em qualquer país) e acabei esbarrando no “Diário do infiel”, de Pierre Salducci. O tema é algo que me atrai (talvez quase na mesma medida em que me desagrada), então resolvi comprar.

O Prefácio já soa como uma desculpa do autor, que diz não se lembrar direito dos acontecimentos – encontrada em um caderno que era seu diário aos 25 anos – e parece esperar ser perdoado por isso. A história é banal: Pierre está sufocado pelo relacionamento com Jean e decide morar em um apartamento separado (ainda que no mesmo prédio). Logo, ele está envolvido com Christophe, um jovem que divide apartamento com um grupo sempre promovendo festas regadas a bebidas e drogas, e Kamel, um garoto ainda com certa inocência e vindo de uma família conservadora.

Pierre Salducci não é um grande escritor (apesar do livro se autoproclamar um sucesso na época em que foi publicado pela primeira vez), mas não é exatamente o estilo do texto que o torna enfadonho: o problema é que o autor tenta, a todo custo, racionalizar as traições que comete para poder justificar a sua atitude e ser considerado inocente. Como se trata de um diário, as páginas parecem ser sua maneira de tentar perdoar a si mesmo pelo que ele, no fundo, considera errado. E a partir de um momento, os leitores simplesmente perdem todo o respeito por ele – aqueles que consideram traição algo completamente condenável o abandonam porque suas justificativas começam a ficar patéticas; já aqueles que consideram traição como algo normal o abandonam porque se cansam das justificativas para algo que não condenam.

Moral da história? Quem trai deve fazê-lo conscientemente e não fingir ter um código de valores que leva em consideração terceiros. Já que é pra fazer a merda, então desencane da pose de filósofo de relacionamentos contemporâneos: não cai bem!

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Sr. Ninguém, um gato e infinitas possibilidades

Mr. Nobody é um filme de 2011 com Jared Leto, Diane Kruger, Rhys Ifans e Sarah Polley sobre as vidas possíveis do personagem-título. O tema já foi explorado em outros filmes anteriores, de maneiras diferentes. “Corra, Lola, corra” apoiou-se no estilo das ‘vidas’ dos personagens de video-game, que têm a oportunidade de aprender algo e aplicar a experiência na vida seguinte. “De caso com o acaso” preferiu um viés de comédia romântica e deu à personagem de Gwyneth Paltrow duas opções – pegar ou não o metrô e, por consequência, flagrar ou não o namorado com outra.

O curioso em Mr. Nobody é que ele leva o espectador ao longo de mais de duas horas sem explicar ao certo qual vida é a “original”, quais são apenas “alternativas” e, em alguns momentos, qual opção levou a outra. A história é contada pelo próprio Mr. Nobody, o último ser humano mortal vivendo no futuro, mas ele tem problemas de memória e por vezes fica difícil saber o que está inventando – tudo para explorar o tema das possibilidades.

Dentre as obsessões contemporâneas, essa é uma das mais significativas porque faz parte do nosso dia a dia. Cada escolha deixa para trás uma série de vidas não vividas e muitas vezes ficamos presos ao “e se?” que ela traz. São as possibilidades – vividas ou não – que dificultam nosso desprendimento do passado: estamos constantemente olhando por cima dos ombros para ter certeza de que não deixamos algo valioso para trás. Aquele “sim” ou aquele “não” estragaram nosso presente? Ou ele seria pior se tivéssemos feito a escolha contrária?

No fundo, estamos obcecados com as possibilidades ou apenas queremos validar as nossas escolhas? Talvez o cantor francês Fabrice Mauss tenha resumido bem essa questão em sua música “Le Chat” (O gato):

Eu teria amado ser um gato

Para ter sete vidas

E poder te dizer, apesar disso tudo,

Que minha preferida é esta.

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Pequenas irregularidades de personalidade

Raramente percebemos o abismo que nos separa da maioria dos seres humanos, tão acostumados estamos de nos cercarmos de pessoas mais ou menos semelhantes a nós mesmos. É somente quando saímos da nossa zona de conforto/do nosso círculo de amizades que percebemos esse vasto espaço que, se nos arriscamos a vencer, traz muitas lições.

Mas no meu caso, até os amigos me acham muito peculiar – o que não deixa de ser irônico se eu pensar no quanto tentei passar despercebido e ser o mais comum possível nos anos do auge da minha timidez.

Talvez o que mais me afaste das outras pessoas – a minha pequena irregularidade de personalidade – seja a visão dos relacionamentos. Há algumas semanas, conversando com uma amiga do trabalho que conhecia pouco da minha história, relatei um pouco do que aconteceu comigo nos últimos anos. Ao final, depois de muito debate, ela recomendou que eu tornasse tudo mais fácil.

Porque, de fato, eu gosto das coisas difíceis. Quanto menos eu compreender, mais me interessa. Quanto mais complicado, mais apaixonado. Quanto menos emocionante, menos vínculo.

O que dizer, por exemplo, do caso que durou meses sem sequer um beijo, em que ofensas por SMS em plena madrugada intercalavam-se com momentos românticos em família?

Mas quer saber?  Mais insanos são aqueles que, constantemente, buscam meus conselhos. Sinceramente…!

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Confesso que me rendi

O primeiro livro que li em um aparelho eletrônico? Não faço a mínima ideia, porque eu tinha a sensação de que não deveria ler em formato digital nenhuma obra potencialmente relevante – na época, o que eu usava para ler era meu primeiro smartphone (Nokia E62). Quando troquei para o Nokia E71, com sua tela bem menor, descartei toda a possibilidade de carregar livros nele.

Eis que, com  um iPad na mão, decidi pegar o aplicativo do Kindle (E confesso que deixei o iBooks de lado porque achei-o simplesmente feio – uma prateleira de “madeira”? Mas é para ser moderno ou nostálgico?). Comecei com o mesmo pensamento de quando comecei a ler no meu celular: vou comprar somente livros mais leves e baratinhos.

Mas confesso que agora o meu Kindle para iPad está repleto de livros – incluindo 1Q84, de Haruki Murakami. Pior: outro dia, com um livro impresso na mão, senti falta daquela praticidade de colocar o dedo sobre a palavra e ter a definição dela logo ali, à disposição.

Entretanto, nem é isso que mais me agrada: agora não pago o frete dos livros que comprava na Amazon e eles estão prontos para serem lidos em segundos. O perigo é o “Compre com um clique” da Amazon, que está abarrotando o meu iPad de livros…

Se parei de comprar livros impressos? Não. Inclusive, hoje chegou um novo aqui. É uma relação diferente com a obra, mas o conteúdo, em sua essência, é o mesmo: e as obras contam pelo seu conteúdo.

Se é bom, não sei. Conto depois 😉

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Eu não sei se as musas são eternas

Às vezes lembro-me de você. Talvez não de você, mas de mim quando você existia na minha vida. Minha memória é ruim (eu esqueço com facilidade de mim mesmo), então sempre você volta à minha vida provocando um sobressalto e eu fico sem saber direito o que fazer. Ficar sem saber direito o que fazer é uma anomalia. Que musa deixa seu artista sem saber o que fazer? É nessas horas que eu me pergunto se as musas são eternas.

Se você tivesse sido minha musa…

Eu não precisava ver seu rosto nem ouvir sua voz. Você existia em algum lugar no mundo quando a inspiração chegava, mas era no lugar em mim onde você também existia – era nesse lugar que você fazia a diferença nos momentos de criação.

Se você tivesse sido minha musa…

O mundo acabou quando eu descobri que você podia incentivar a criação de outro. Se mais alguém buscava inspiração em você – e conseguia – minha obra não era mais apenas minha. Uma versão (pior, se você quer saber minha opinião) também circulava pelo mundo.

Se você tivesse sido minha musa…

As páginas que prometiam ficar em branco para sempre continuaram sendo preenchidas. Uma arte menos suave. Mais ríspida. Menos agradável. Mais áspera. Menos bonita. Mais bonita.

Se você tivesse sido minha musa…

Não há vazio.

E eu não sei se as musas são eternas.

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