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Novos relacionamentos e a lista de fatos igorados

Alguns apressadinhos anunciam namoro menos de mês após terem conhecido a famosa (e suposta) cara-metade. Outros, mais cautelosos (menos carentes?), esperam conhecer melhor a pessoa antes de decidir se querem investir no relacionamento. Há também quem prefira deixar a situação se desenrolar sem pressa, o que pode durar alguns meses. Uma minoria aposta nos relacionamentos alternativos: a três, abertos, etc. Mas nenhuma dessas pessoas escapa da realidade: o ser humano é mutante e nunca podemos completamente conhecer quem está ao nosso lado – o que fazemos é tentar minizar nossa ignorância. Muitas vezes, nessa missão, deixamos escapar detalhes que poderiam ser a brecha para vermos algo muito maior.

Um amigo – que teve sua cota de surpresas desagradáveis em relacionamentos – comentou que antes de embarcar no último namoro fez uma “brincadeira” despretensiosa: a lista de coisas que um provavelmente não sabia sobre o outro depois de 4 meses que haviam se conhecido. Segundo ele, as surpresas de ambos foi muito mais positiva do que negativa – o que explica, em parte, estarem juntos hoje.

Umberto Eco já dedicou um livro inteiro à Vertigem das Listas – e à dualidade que elas representam (elas ampliam ou restringem o nosso olhar?) e  Nick Hornby antes dele transformou a lista em um elemento da cultura pop com seu livro Alta Fidelidade. Ou seja: elas são uma realidade à qual nos apegamos algumas vezes.

Recentemente confrontado com a questão da lista dos fatos ignorados a meu respeito, tudo que consegui levantar foi o que segue abaixo – e tenho sérias dúvidas sobre a relevância de alguns dos itens. Considerando que ela foi feita com uma única pessoa em mente, alguns dos fatos não podem ser considerados exatamente um segredo…

1. Apesar de ser destro, não consigo usar o mouse do computador/Mac com a mão direita;

2. Detesto Madonna (isso todos sabem), mas tenho um CD dela – Ray of Light – que acho bom. Talvez o que mais me incomode na chatinha são seus fãs;

3. Não gosto de ler livros emprestados ou de Biblioteca. Um dos motivos é que os levo para a cama para uma leitura breve antes de dormir e preciso saber por onde eles “andaram”. O outro motivo tem a ver com as marcações que as pessoas fazem nas obras: odeio!;

4. Muito do que eu não faço hoje eu já fiz no passado, mas não falo porque parecem pertencer a outra vida: já comi chocolate (depois de anos sem colocar um na boca, meu organismo criou mecanismo de rejeição), já tomei refrigerante, já comi carne vermelha e já bebi cerveja (Skol Beats, mas nunca fui muito fã, e Heineken de vez em nunca);

5. Meu gosto musical, apesar de eclético, hoje não comporta mais “licenças bizarras” como na época da minha pré-adolescência, quando tive dois CDs de axé;

6. O primeiro “amor” foi público: nós tínhamos 4 ou 5 anos e até nossos pais sabiam. No dia dos namorados, minha mãe comprou um brinco para eu dar de presente e na formatura do ginásio (hoje a 9ª série), o pai dela veio me cumprimentar;

7. O primeiro escritor de quem li mais de um livro foi Monteiro Lobato. Com exceção dele, só há outro escritor cuja coleção de ficção eu li inteira: Milan Kundera (considerando somente a coleção do Sítio de Lobato);

8. Como estudei em colégio técnico (Ensino Médio), no último ano eu entrei para um cursinho porque não queria perder mais um ano para entrar na faculdade. Foi o professor de história de lá que me apresentou o cinema francês – e em grande estilo: A Rainha Margot, de Patrice Chéreau;

9. Minha cama possui hoje 8 almofadas e 3 delas possuem um lugar específico. Mas a coisa não foi sempre assim: eu era uma das pessoas mais desorganizadas do mundo – até ir à casa de uma amiga e ver o quarto dela totalmente arrumado. No mesmo dia, voltei para casa, arrumei meu quarto inteiro e desde então fico perturbado quando ele não está minimamente organizado;

10. Tendo a não gostar daquilo que agrada muita gente e a explicação é simples: tenho a sensação de que, para agradar a todos, falta personalidade. Isso se aplica a pessoas, mas também a situações, objetos, conceitos, etc.;

11. Se eu sei que algo é esperado de mim – como se fosse previsível – eu provavelmente farei o oposto, mesmo que isso possa ser mais complicado. Um misto de birra com vontade de fazer “diferente”…

E você? Já pensou no que seu namorado/sua namorada não sabe sobre você e vice-versa? 😉

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Sobre aquilo que não sabemos

Jantam juntos para colocar os pingos nos “is”. Afinal, que sentido faz duas pessoas que estão atraídas uma pela outra física e intelectualmente não ficarem juntas? Os últimos meses foram tão conturbados com os jogos, as mensagens confusas e a corrida pelo posto de “mais forte” que haviam se esquecido do principal – momentos de intimidade, beijos roubados, olhares cúmplices que excluem todos ao redor. Não tinham visto o fim chegando, sorrateiro, e decretando a falência de uma relação inexistente. As pessoas são muitas vezes como o casal sentado frente a frente no restaurante; falam e fazem tanto que se esquecem dos silêncios eloquentes. De novo, não dão espaço a ele – falam, justificam, explicam e pedem explicações entre uma garfada e um gole de vinho. O ser humano é carente demais e precisa de palavras.

Por fim, quando o assunto se esgota (ele se esgota?), o silêncio consegue se impor e os dois trocam um olhar sem sentimentos grandiosos. Entendem, na ausência das palavras, o que aconteceu e sabem que não há espaço para consertos. Provavelmente ficarão atentos quando outras pessoas chegarem em suas vidas para que o mesmo não se repita, mas não têm certeza de que conseguirão.

Pagam a conta, despendem-se e caminham separadamente para suas vidas, que não se encontrarão mais.

Algumas pessoas são assim. Viciam-se em ser solteiras e não sabem mais como fazer parte de um casal – não importa em que estágio (há casais se formando, casais se consolidando, casais se desfazendo, casais se refazendo…). Suas vidas giram em torno de prazeres individuais, momentos compartilhados com amigos e família, flertes natimortos, toques frios para garantir aos outros que ainda pulsam.

As outras pessoas procuram justificativas. Inventam traumas, criam karmas imaginários, procuram por respostas nos lugares errados.

Os dois caminham separados porque não sabem ser parte de um casal. Assim como alguns não sabem ser parte de uma vida individual.

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Pequenas irregularidades de personalidade

Raramente percebemos o abismo que nos separa da maioria dos seres humanos, tão acostumados estamos de nos cercarmos de pessoas mais ou menos semelhantes a nós mesmos. É somente quando saímos da nossa zona de conforto/do nosso círculo de amizades que percebemos esse vasto espaço que, se nos arriscamos a vencer, traz muitas lições.

Mas no meu caso, até os amigos me acham muito peculiar – o que não deixa de ser irônico se eu pensar no quanto tentei passar despercebido e ser o mais comum possível nos anos do auge da minha timidez.

Talvez o que mais me afaste das outras pessoas – a minha pequena irregularidade de personalidade – seja a visão dos relacionamentos. Há algumas semanas, conversando com uma amiga do trabalho que conhecia pouco da minha história, relatei um pouco do que aconteceu comigo nos últimos anos. Ao final, depois de muito debate, ela recomendou que eu tornasse tudo mais fácil.

Porque, de fato, eu gosto das coisas difíceis. Quanto menos eu compreender, mais me interessa. Quanto mais complicado, mais apaixonado. Quanto menos emocionante, menos vínculo.

O que dizer, por exemplo, do caso que durou meses sem sequer um beijo, em que ofensas por SMS em plena madrugada intercalavam-se com momentos românticos em família?

Mas quer saber?  Mais insanos são aqueles que, constantemente, buscam meus conselhos. Sinceramente…!

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